Contando Motivos

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Ando meio tonta. Culpam a pressão baixa, mas não há explicação médica para a loucura, o vazio e o grito oco que crescem em mim junto à tontura. Sou grata por esses momentos fugazes: me perco em vielas ou na mente mesmo. É minha válvula de escape. Enquanto tudo fica turvo, negro e confuso na vista, não há momento de maior clareza e cor na minha alma. Bebo um pouco de água, encosto-me em quem estiver mais próximo. É o meu momento de epifania. Não há descoberta maior: sou mortal e vulnerável. Sou imperfeita. A clareza se vai e chega a loucura que antes mencionei. Minhas certezas, que antes somavam-se, viram as incógnitas. Ao menos da loucura posso extrair um poema. Não sei se é a pressão baixa, ou a fome, ou a sede. Sei apenas que ando lendo muito Clarice esses dias.

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