Flores de Van Gogh

  
Era arte. Suja, estúpida, fugaz. O tempo pintou-me como sua expressão da feiura do mundo. Virei prisioneira: ele trancou-me no retrato, por pura melancolia. Era a vingança de um bêbado. Mas um bêbado apaixonado, que odiava-me por minha felicidade, que ele nunca conseguia alcançar. Esse era o tempo. Vadiando por bares e encantando mocinhas. 

Entretanto, a minha imagem de melancolia retratada na tela era adorada. Eu conseguira o que ele tanto temia. Roubei os olhares que ele tanto procurava. O estúpido não entendia, eu era mais forte que ele. Sou. Mas não o nego, quando os olhares repousavam sobre mim eu não sorria por ter vencido do meu maior inimigo, de ter desarmado-o. Eu sorria pois sentia-me como as flores de Van Gogh. Eu havia sido pintada por um bêbado apaixonado e agora era apreciada. Eu me tornara puro expressionismo.

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