Maré, parte 1

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De repente, de frente para o mar, vejo que o que acalma não é água com açúcar, é o puro sal afogado. Deságua nesse mar tudo o que foi e o que poderia ser. O tempo é amigo dos marinheiros e caminha pela areia fofa sem deixar pegadas. Junto das ondas, afoga-se pensamento. Corpo, água e alma: tudo que sou e que a mim pertence funde-se em uma só gota de oceano. Quebra onda, quebra mar, quebra-cabeça de tanto pensar no que se afogou. Já volta a vontade de afogar a mim mesma. Mas, devido às circunstâncias, o pouco que posso – e devo – fazer é deixar que o que me sufoca evapore e, quem sabe, um dia vire mar e nade junto de Iemanjá. Já não estarei aqui para viver o sufoco de novo.

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