Falta de Memórias de um Carnaval

Ela decidiu que naquele ano, não haveria carnaval. Nada de cara pintada, bloco na rua ou algumas cervejas para animar. Nada. Havia acabado de sair de um relacionamento, não se achava no direito de ir para festas quando se podia ficar em casa lamentando por um amor que morreu prematuramente.

Chegou o tão esperado feriado. As amigas ligavam, chamavam-na, mas ela se recusava a alguns momentos de folia. Mas carnaval se via por todo o lado, parecia que estava a perseguindo. Na rua, via-se as pessoas animadas, descendo até a praia para festejar entre os vários blocos que tomavam conta do trânsito. Ela já devia ter aceitado que era impossível fugir.

Mas não. Resolveu que nem de casa sairia mais, poderia ficar vendo alguns filmes, comer pipoca, lembrar do amor que não durou.

Enganado o leitor que achou que o lamento ia continuar. Já no último dia decidiu: iria esquecer as mágoas e iria à praia, onde nunca pisava, mesmo morando no litoral. Mas nada a ajudava, foi só sair de casa que a chuva começou, obrigando-a a voltar para casa. Olhando para as gotas, ela pensava que eram como as lágrimas que ela devia ter derramado de primeiro para aliviar logo a dor.

Devia ter brincado no carnaval, pintado a cara, escutado um samba, ter vivido um amor. Ah, querida, carnaval agora só ano que vem!

(Texto por Melina Coelho. Falta de ilustração proposital, afinal, carnaval já tem cor demais.)

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