Passagem para Boêmia

pdq2

Paulo era o que poderia-se considerar “um cara de sorte”. Tinha uma ótima casa, um emprego maravilhoso, filhos saudáveis e uma namorada bonita. Era tudo um encanto.

No trabalho, sempre era elogiado pelo chefe e os colegas de trabalho sempre o respeitaram. Sua secretária era uma garota jovem, esperta e bonita, mas isso é para outra história.

Acordava sempre às oito horas da manhã para caminhar na areia da praia, afinal ser saudável tinha virado moda e ele queria participar disso também. Modismos sempre eram bem vindos na sua vida.

A vida de Paulo era perfeita, poderíamos dizer. Todos queriam essa tal vida. Menos ele.

Paulo sentia-se sufocado por uma máscara que a própria sociedade o obrigava a vestir. Era a sua maldita coroa de espinhos. Ele só não sabia por que espetava tanto.

“Para quê tudo isso?”. “É isso o que eu escolhi, é isso o que eu quero?”. “Alguém é feliz afinal?”. “Eu sou o único a enxergar isso?”. Alguns diriam que algumas seções de terapia iriam resolver isso rapidinho. Os psiquiatras também tinham virado moda.

Quando chegava a noite, Paulo ia para o bar mais próxima para tentar responder suas perguntas e para decidir se iria afogar-se na bebida ou nas próprias lágrimas.

(Texto e desenho por Melina Coelho.
No desenho, letra da música “Mar Fechado“, Selvagens à Procura de Lei.)

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s